O IESC CONTINUA NA LUTA CONTRA O RACISMO, A PARTIR DA SALA DE AULA.

O racismo, este mal que se arrasta como triste, violento e vergonhoso legado do período escravista no Brasil, não é problema exclusivo de sala de aula, mas é neste espaço que a educação libertadora tem o poder de transformar mentalidades, especialmente na infância e na juventude – capazes de construírem um país mais justo, ciente de nossa dívida secular para com aqueles que formaram este país econômica, social e culturalmente e, consequentemente, seus herdeiros afro-brasileiros. Poderão, dependendo do compromisso e engajamento de seus educadores, construírem este novo país.
A ESCOLA, a SALA DE AULA, representam um espaço CONJUNTO DE REFLEXÃO E CONSCIENTIZAÇÃO de todos os profissionais envolvidos, docentes e não docentes. Para tanto, é preciso oportunizar a ampliação e revisão do conhecimento sobre a formação do Brasil em suas raízes coloniais, escravistas; oportunizar o debate, a revisão de conceitos inculcados no espírito das pessoas brancas, descedentes dos europeus, contra mais de 5 milhões de pessoas de inúmeras etnias africanas, retiradas de suas terras e famílias, destituídas de sua “humanidade”, de suas concepções de religiosidade e trazidas forçosamente, nos porões de navios. Como se gado fossem, foram expostos às mais perversas e cruéis insanidades, especialmente contra as mulheres, estuprando-as deliberadamente, inclusive meninas de 10, 12 anos. Inúmeras morreram, na travessia do mar. Outros e outras, preferiram se jogar e pousar seus corpos nas profundezas do Atlântico – um depósito de milhares de corpos africanos suicidas ou lançados por seus torturadores, como castigo por ataques aos torturadores na luta vital, por liberdade – própria de todo ser humano – e pelo sonho do retorno à casa.
Entretanto, mais de 5 milhões de homens, mulheres e crianças foram escravizadas no Brasil. Apesar da abolição em maio de 1888 – aqui há uma discussão importante a se fazer na sala de aula – conceitos perpetuados até hoje, mantem o desrespeito e a exclusão das gerações descendentes. Trabalhar continuamente pela erradicação do racismo, exige mais do que se posicionar como não racista, exige lutar por mudanças estruturais; mudança nas instituições que perpetuam as dificuldades de acesso aos direitos plenos de cidadania. Políticas públicas ajudam a minimizar os longos anos de exclusão, mas não bastam.
O Pré Lançamento da JORNADA, realizado no dia 16 de fevereiro, completou as informações, com explicações detalhadas.


Com abertura na Câmara Municipal de Chapada dos Guimarães dia 24/02 que, em nome seu presidente vereador Mariano Fidélis dos Santos Filho, agradeço a todos e todas vereadores/as, o dia 25 começou com recepção e entrega dos materiais.
Algumas imagens do grande dia!


A Jornada, recebendo a visita do prefeito Osmar Froner e Hélia Melo. Professores: Nuno Coelho e Petrônio Domingues. Historiadora Amélia Alves – presidenta do IESC, profa. M. de Lourdes Castrillon e prof Bruno Rodrigues.

Prof.a. Historiadora, Camila Viana Rodrigues (Co-curadoria), Prof.a M. de Lourdes Castrillon, pedagoga Thiara Alves Cabral Santos e engenheira Leilane Cristina O. Costa (assistentes da curadoria), prof Bruno Rodrigues, Amélia Alves( Curadoria), prof Petrônio Domingues e Prof. Nunco Coelho.

Início do encerramento, dia 25/02 na Câmara Municipal. Professores participantes, jovens monitores das salas e ao fundo, na porta, Jolenil Martins (IESC).
Estamos trabalhando em mais informes e registros fotográficos destes preciosos momentos de compartilhamento de experiências, conhecimento e compromisso com as propostas da JORNADA. Breve voltaremos.
Por enquanto, parabéns aos docentes, às docentes participantes, aos colaboradores e colaboradoras do IESC, aos jovens estudantes e às jovens estudantes monitores das salas, aos professores ministrantes dos seis minicursos: prof.a Dra Loiva Canova (UFMT), prof Dr Bruno Rodrigues (Univ. Federal de Mato Grosso), prof.Dr Petrônio Domingues (UN. Federal de Sergipe), prof Dra Silvana Alves dos Santos (UFMT), prof. Dr Nuno Coelho (Univ. de Coimbra/PT), Prof.a. Dra. Maria de Lourdes Castrillon (UFMT).
Agradecemos o diretor da Escola Estadual Rafael de Siqueira prof Jefferson, pela disponibilidade dos espaços e acolhimento da JORNADA; a participação do secretário Municipal de Educação de Chapada por seu apoio constante e presença na abertura do evento, prof. Benedito Leschener; a presença do prefeito municipal sr Osmar Froner de Melo e sra Hélia Melo, na visita surpresa à escola Rafael de de Siqueira e encontro com os participantes.
No dia 03 de março, na Secretaria de Turismo, Cultura e meio-Ambiente, lançamos o livro: Leis Abolicionistas: Dos Tratados pela abolição do tráfico de africanos à Lei Áurea: Fundamentos do Racismo no Brasil. Pesquisa e análise crítica das leis emancipatórias e seus efeitos. Editado pela Entrelinhas Editora, de autoria de Amélia Alves. E apresentada a exposição fotográfica: Territórios e Memórias Quilombolas: Os Gardiães Históricos. Fotografias de Fausto Roim sobre a Comunidade Rural Remanescente de Quilombo, Lagoinha de Baixo. Projeto complementar da JORNADA. Atividades levadas à Portugal até 24 de abril de 2023, nas cidades do Porto, Guimarães e Coimbra. Infelizmente, a liderança quilombola da referida Comunidade convidada a apresentar a exposição inclusive em Portugal, por motivos particulares, não pode nos acompanhar. Deixamos aqui nosso agradecimento pela confiança delegada em representá-lo.
Todas as atividades só foram possíveis pela emenda parlamentar do dep. Estadual Lúdio Cabral/PT e aprovação da SECEL – Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e lazer de Mato Grosso.
