Todos a conhecem, em Chapada dos Guimarães, como Regininha; a artesã que expõe sua arte aos sábados na praça D. Wunibaldo. Pequenina, mignon, mas de um sorriso acolhedor, maior do que ela mesma.
O artesanato em sementes e fibras colhidas aqui e ali, inclusive pingentes dos colares, podem ser de sementes que caem de uma árvore muito próxima, de onde conversamos. A banca expositiva oferece verdadeiras jóias – sofisticadas na medida certa, de maneira a que não estejam acessíveis, a poucos. O sentido artístico da vida, que Regininha imprimiu para si, não se limita ao artesanato. O envolvimento na arte, na valorização entusiasta da cultura de Mato Grosso, vem de longe.

Levada pelo gosto da cultura em todas as áreas, fez parte de um grupo de dança na região da Comunidade de Água Fria onde, como jovem estudante, resolveu participar. Era o famoso Grupo de Siriri – Flor do Cambambe. Nascido em torno de 1967, foi reativado pelo prof Pedrinho e sr. Deodato, em 1997. Dando identidade, cultura, lazer, sentido de pertença e auto estima, à juventude de Água Fria. A hoje Guia de Turismo Cultural Jolenil Martins, lembra Regininha, teve importante papel no fortalecimento do grupo, quando da saída do prof Pedrinho. A jovem dançarina viria a substituí-la mais tarde – neste ponto vê-se o orgulho e amor pelo projeto nos olhos miúdos -, e hoje, está em mãos de outra jovem diretora: a profa. Bruna; mantendo firme o interesse e a animação do grupo. Prepara uma nova turma, a infantl, para que não esmoreça entre eles, o legado dos fundadores e dos que o fizeram renascer.
Multiplicar conhecimento, manter viva a cultura da Comunidade, é fundamental para permanência da manifestação cultural que os agrega e instiga a dar continuidade, a fazer do Flor do Cambambe, um patrimônio cultural local.
Sempre animada em falar sobre os primórdios do grupo reativado,Regininha aponta a dedicação de sr. Deodato. Hoje afastado das atividades para cuidar da saúde, mas a voz mais respeitada quando se fala ou se vai falar em Flor do Cambambe. São flores de fato, que nascem e renascem num cerrado por vezes inóspito, outras fresco e fértil conforme as circunstâncias animadoras ou as dificuldades.

Prestigiando a banca de Regininha. Colar e brincos de sementes, feitos por ela.
O nome Cambambe, nada comum, nada corriqueiro em outras paragens do Brasil, vem do período colonial. Em Angola, um morro com este nome e as mesmas características, foi alcançado pelos portugueses crentes nas notícias de que naquele morro haveria minas de ouro. Não resultou no esperado. Alguém que lá esteve e chegou à Chapada, viu um morro muito semelhante ao Cambambe angolano, na região hoje Água Fria, e o denominou como tal.
Hoje a artista também se dedica ao esporte e já é premiada nas corridas, apesar da constante dependência de patrocinadores. Algo difícil, assim como para grupos de dança, teatro, música… Uma lacuna que empresários deveriam preencher. Muito pouco faria muito pela arte, pelo conhecimento, pelo esporte, pelo desenvolvimento social, pela valorização desde a infância e juventude sobre a arte que lhes confere o sentido positivo de pertencimento e de crescimento.
Esta é uma homenagem que começamos a fazer aos artistas da arte sustentável de Chapada dos Guimarães. Neste primeiro bloco, homenageamos Regininha, seus talentos e constante prontidão, em enaltecer a arte local. Ao seu sorriso e receptividade.
