A arte Sustentável, de Serra Acima. (II) Ana Paula Lopes Câmara

A PAIXÃO PELA CERÂMICA

Se, acreditarmos que o que somos, nos basta, pouco ou nada mais, teremos o que desbravar, o que conhecer sobre nós mesmos e trasnformar, a nós e o que está ao nosso redor. Não parece óbvio? No entanto, quantas vezes nos sentimos frustrados e limitados, justo por nos esquecermos, do poderoso… óbvio? Deixamos de abrir novas janelas, desbravar novos rumos e capacidades que julgávamos não nos pertencer?

Isto foi o que fez a historiadora e antropóloga Ana Paula, professora da Escola Ana Teresa Albernaz, de Chapada dos Guimarães. O que ela nos diz, sobre suas trasnformações, o caminho trilhado e os prazeres conquistados, no dia 28 de maio passado, dia do Ceramista?

“O Barro me remodelou! Me mostrou o inesperado, o valor da paciência e da necessidade do constante refazer. Amassar, moldar, secar, transmutar pelo fogo. Nesse intenso movimento, eu e as peças de cerâmica, surgimos! Somos resultado da ousadia, persistência, e do inesperado. Com o barro aprendi juntar os cacos e fazer as costuras, para poder existir. Sou feliz, nessa caminhada, como artista ceramista.” 

Se propor a ser RE-MO-DE-LA-DO. Ana Paula encontrou essa possibilidade na terra, no barro, na natureza, e transformá-lo em peças únicas, singelas, belas, agradáveis ao olhar. Muitas são de utilidade prática, mantendo a leveza e a beleza.

Desafios enfretados através da arte mudam, se não a vida econômica do artista – pois, sabemos o quanto a cultura, a arte é negligenciada neste país, como algo supérfluo -, mudam o olhar para a vida dos que se propõem a conhecer, apreciar e refletir sobre onde, ela o afeta. Incentive o artista chapadense, valorize seu trabalho, valorize a arte sustentável.

Toda arte é transformadora, toda arte nos remete à reflexão. Não tenha dúvida, por isto ela é negligenciada. Por nos incitar, a pensar.