Protocolo de Colaboração e Amizade – Chapada dos Guimarães e Guimarães /PT – Julho de 2021 (I)

O que nos une? O que tem a ver, o nome de Chapada dos Guimarães, com a cidade de Guimarães, em Portugal?

Tudo começa com a ocupação portuguesa em territórios, até então, pertencentes à Espanha, pelo acordo para definir os limites de atuação no Atlântico Sul, estabelecido entre as duas coroas ibéricas em 1494. O Tratado de Tordesilhas.

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Descobrindo ouro em terras para além dos limites.

No início do século XVIII, caçando povos indígenas para escravizar nas lavouras de S.Paulo, mas também de olhos abertos à possibilidade de encontrar ouro, os conhecidos bandeirantes paulistas e suas comitivas, chegaram a essas paragens, contactaram indígenas que os receberam (os primeiros) sem guerra, ignorando suas intenções. Acabaram por lhes mostrar onde poderiam encontrar o ouro que traziam consigo, como enfeites. Pronto, estava assim aberto o caminho para ocuparem definitivamente os espaços proibidos, pelo Tratado de Tordesilhas.

Foi preciso rever o Tratado e redefinirem as fronteiras, negociando, entre si, os pontos de interesse para uma e outra coroa, a partir de 1750, com o Tratado: o Tratado de Madri e mais tarde o Tratado de Santo Idelfonso, em 1777. Mas, nessas altura, a região ocupada indevidamente já estava em franca exploração aurífera pelos portugueses e paulistas e toda a gente que tinha tido notícias das novas descobertas e corriam para cá. Portugueses, paulistas, baianos, mineiros de Minas Gerias…

Esta região passou a pertencer à Capitania de S.Paulo e em 1748, enquanto corriam as negociações, Portugal achou por bem fortalece-la com administração própria para sua exploração. Criou-se então, a Capitania de Cuiabá e Mato Grosso.

Um paulista e militar importante, foi designado para ser o regente da Vila de Cuiabá: Antônio de Almeida Lara. Muito perspicaz, muito atento às oportunidades, Lara teria levado [ou mandou que seus escravizados roubassem de outro fazendeiro?] da região hoje de Mato Grosso do Sul, as mudas de cana que deram início aos que ficariam conhecidos mais tarde, como “…os melhores engenhos dos cuiabanos”, isto é: serra acima de Cuiabá. Em sua fazenda, a Buriti, pioneira entre os engenhos que se espalhariam por toda a região até a altura do rio Manso, se encontrava em atividade desde 1720, segundo ele. Ou seja, Lara teria encontrado as terras férteis e formado fazenda em muito pouco tempo, depois das descobertas de ouro nas margens dos rios de Cuiabá. Privilegiado pelo cargo, possuía muitas condições e escravaria para isso; inalcançáveis, aos simples sertanejo buscando o mesmo que ele. Ouro e terras férteis para lavouras de subsistência. Com o direito de sesmaria [doação de terras pelo governo, aos “homens de bem” ] nas mãos em 1726, plantando cana de açúcar e milho, era a fazenda mais produtiva. As demais, pouco se sabia sobre elas, onde se encontravam etc…, mas estavam se estabelecendo serra acima como ele, no entanto conseguiram as sesmarias muito mais tarde. Quem seria considerado um “Homem de Bem?” Aquele que tinha posses, escravaria, logo, respeitado na sociedade, logo, poucos.

O primeiro Governador da nova Capitania foi enviado para cá em 1751. Seu nome: Rolim de Moura Tavares. Para amansar os indígenas com os quais haviam conseguido estabelecer contatos, reuni-los para catequizar e doutrinar na religião católica, seria preciso criar também, as Missões Jesuíticas. Rolim de Moura trouxe dois jesuítas para que começassem o trabalho de reunir, organizar e catequizar a população indígena. Pela região ao entorno de Cuiabá foi criada a Missão Jesuítica Santana do Sacramento, onde? No lugar onde a terra parecia ser “… mais fiel em mantimentos, arvoredos e hortaliças (…)nessa paragem acham já ranchos e casas feitas, assim como engenhos de fazer farinha.” Cabe aqui uma pergunta: teria sido convidado pelo regente de Cuiabá, Almeida Lara, para conhecer a região e convence-lo a estabelecer lá, pertinho dele, a Missão jesuítica? [CRIVELENTE, M.Amélia A. Alves em: Domingos, Angola e Joaquina, Mina…2012, pg 56) O outro jesuíta foi enviado mais para cima, para Vila Bela da Santíssima Trindade, região onde se descobriram outros veios auríferos e começou a ser ocupada por volta de 1734. Para lá foi levada a administração colonial, guardando a fronteira com os domínios espanhóis logo ali, na outra margem do rio Guaporé.

Muito bem, como dissemos acima, desde início do século XVIII [ 1718/1719], a região de Cuiabá, elevada à vila em 1727, vinha crescendo em população ávida pelas promessas de riqueza. Sempre em busca de novos veios auríferos, alcançaram o morro de São Jerônimo e subiram a serra e formaram os engenhos.

Saindo de Portugal no final de 1768, chegando em 1769, para governar estas paragens tensas, conflituosas com os vizinhos espanhóis, o Capitão Luís Pinto de Sousa Coutinho, resolve por ordem na casa. Por um Bando [documento] do Marques de Pombal [Sebastião José de Carvalho e Melo], então Primeiro Ministro do rei D. João V, os arrais e vilas, lugares da colônia do Brasil, deveriam ter nomes que lembrassem o reino português. Vamos lembrar que, neste período, as coroas ibéricas estavam em plena revisão de fronteiras, redesenhando as linhas limítrofes do Tratado de Tordesilhas. Ocupar, evidenciar a presença portuguesa, era fundamental.

Portanto, o que era um lugar de Missão Jesuítica [extinta em 1759] onde, ao seu entorno havia engenhos desde 1720/1726, passou a ser chamada de “LUGAR DE GUIMARÃES”. Assim, pela TOPONÍMIA, ficaríamos ligados, historicamente, à Guimarães.

Através da historiadora, doutorada em Portugal, M. Amélia Alves, presidenta do IESC, parceiro da prefeitura de Chapada neste projeto, foi assinado pelo prefeito Osmar Froner de Melo e pela Vice-prefeita de Guimarães, Dra Adelina Paula Pinto, em julho de 2021, o Protocolo de Colaboração e Amizade, que antecede ao título: Cidades Irmãs. Este, só depois de avaliados entre ambas as Câmaras Municipais, o interesse de fato e as relações ativas nas trocas de conhecimentos e experiências em diversas áreas como na educação e na cultura por exemplo, de um e outro lado, mas não apenas. Também se prevê proximidades com toda e qualquer atividade em que se possa trocar conhecimentos e tecnologias. Neste mês de abril de 2022, foi estabelecida uma parceira na área da educação e meio ambiente para o desenvolvimento sustentável, através do Programa socioeducativo para o Desenvolvimento Sustentável de Chapada, com o Laboratório da Paisagem, de Guimarães.

Sede do Laboratório da Paisagem, em Guimarães/PT.